segunda-feira, 3 de outubro de 2011

            
 
 

 Originalmente, a palavra Caboclo significa mestiço de Branco com Índio mas, na percepção umbandista, refere-se aos indígenas que em épocas remotas habitaram diversas partes do planeta, como civilizações aparentemente primitivas, mas na realidade de grande sabedoria. Espíritos que, embora em sua encarnações tenham vivido em outros países, identificam-se espiritualmente na vibração dos Caboclos, como por exemplo, os índios Americanos, os Astecas,  os Maias, os Incas e demais indígenas que povoaram a América do Sul.
Falar em Caboclos na Umbanda, é fazer menção a todos eles que, com denominações diversas, atuam em nossos terreiros e que, com humildade, como muito bem recomenda a espiritualidade, omitem detalhes referentes às suas vidas quando encarnados.
   
 
 
Na Umbanda, os Caboclos constituem uma falange e, como tal, penetram em todas as linhas, atuando em diversas virações. Entretanto, cada um deles tem uma vibração originária, que pode ser ou não aquela em que ele atua.
Antigamente existia a concepção de que todo Caboclo seria um Oxóssi, ou seja, viria sob a vibração deste Orixá. Porêm em nossa percepção, compreendemos que Caboclos diferentes, possuem Vibrações Originais Diferentes, podendo se apresentar sob a Vibração de Ogum, de Xangô, de Oxóssi ou Omulu. Já as Caboclas, podem se apresentar sob as Vibrações de Iemanjá, de Oxum, de Iansã ou de Nanã.
Não há necessidade da Vibração do Caboclo-guia, coincidir com a do Orixá dono da coroa do médium: o guia pode ser, por exemplo, de Ogum, e atuar em um sensitivo que é filho de Oxóssi; apenas neste caso, a entidade, embora sendo de Ogum, assimilará a vibração de Oxóssi.

Ervas e Amalás

Ervas e Amalás

Veja Amalás e ervas para banho de descarrego

OXALÁ


AMALÁ
14 velas brancas, água mineral, canjica branca dentro de alguidar de louça branca e flores brancas.

LOCAL DA ENTREGA
Um lugar muito bonito e cheio de paz, como uma colina limpa, ou junto de uma entrega para Iemanjá, na praia.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
 Poejo, Camomila, Chapéu de Couro, Erva de Bicho, Cravo, Coentro, Gerânio Branco, Arruda, Erva Cidreira, Erva de S. João, Alecrim do Mato, Hortelã, Alevante, Erva de Oxalá (Boldo), Folhas de Girassol, Folhas de Bambu.

OGUM


AMALÁ
14 velas branca e vermelha ou 7 brancas e 7 vermelhas, cerveja branca servida em coité, 7 charutos, peixe de escama e de água doce, ou camarão seco, amendoins e frutas, de preferência, dentre elas, uma manga (melhor a espada).

LOCAL DA ENTREGA
Uma bonita campina.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
 Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Comigo Ninguém Pode, Folhas de Romã, Espada de S. Jorge, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba.

IEMANJÁ


AMALÁ
 7 velas brancas e 7 azuis, champanhe, manjar branco, rosas brancas ou outro tipo de flor branca.

LOCAL DA ENTREGA
Na praia.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
Pata de Vaca, Folhas de Lágrima de N. Senhora, Erva Quaresma, Trevo e chapéu de couro, Alfazema.

 

OXÓSSI


AMALÁ
7 velas verdes e 7 brancas, Cerveja branca servida em coité, 7 charutos, peixe com escama de água doce ou umamoganga bem assada com milho dentro coberto com mel.

LOCAL DA ENTREGA
Na entrada da mata.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
Malva Rosa, Mil Folhas, Sete Sangrias, Folhas de Aroeira, Folhas de fava de Quebrante, Folhas de Samambaia, Folhas de Palmeira, Folhas de Laranjeira, Erva Cidreira, Folhas de Jurema, Folhas de Maracujá, Folhas de Palmito, Folhas de Abacateiro.

XANGÔ


AMALÁ
7 velas marrons e 7 velas brancas, 7 charutos, cerveja preta servida em coité, camarão, quiabo.

LOCAL DA ENTREGA
Na pedreira ou sobre uma pedra grande e bonita.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
Folhas de Limoeiro, Erva Moura, Erva Lírio, Folhas de Café, Folhas de Mangueira, Erva de Xangô, Alevante, Quebra-Pedra.

 

IANSÃ


AMALÁ
7 velas brancas e 7 amarelo escuro, água mineral, acarajé ou milho em espiga coberto com mel ou ainda canjica amarela

LOCAL DA ENTREGA
Uma pedra ao lado do rio.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
 Catinga de mulata, Cordão de frade, Gerânio cor-de-rosa ou vermelho, Açucena, Folhas de Rosa Branca , Erva de Santa Bárbara.

OXUM


AMALÁ
7 velas brancas e 7 amarelo claro, Flores Amarelas, água mineral canjica amarela, fitas amarelo claro e branca.

LOCAL DA ENTREGA
Ao lado de uma cascata/cachoeira.

ERVAS PARA BANHO DE DESCARREGO
Erva Cidreira, Gengibre, Camomila, Arnica,Trevo Azedo ou Grande, Chuva de Ouro, Manjericão, Erva Sta. Maria, Gengibre, Calêndula, Alfazema.

 

PRETO VELHO


AMALÁ
7 ou 14 velas branca e preta, tutu de feijão, feijão fradinho, doces naturais como cocada, rapadura. Bebida: cerveja preta ou marafo. Fruta: banana prata também conhecida como banana maçã. Flores brancas. Um cachimbo, fumo e cigarro de palha.




EXÚ


AMALÁ
7 velas vermelhas e sete pretas; Comida: farofa de milho, com bastante pimenta e alho, coberto com azeite de dendê; o recipiente pode ser, no caso dos exus, um alguidar de barro; bebida: marafo; 7 charutos; se quiser flores vermelhas.

Para as pombas-gira o procedimento é o mesmo, exceto que ao invés do charuto deve ser entregue cigarros acompanhado de uma caixa de fósforos entreaberta e a bebida seria vinho tinto.
LOCAL DA ENTREGA
No caso dos exus os lugares dentro da cidade seria nas encruzilhadas, portão do cemitério ou dentro do cemitério (o cemitério chama-se calunga pequena), para os exus da encruzilhada, do cemitério e das almas. Entretanto no caso dos exus, recomendamos que a entrega seja feita dentro de um mato ou em sua entrada, de preferência em baixo de dois galhos de árvores que se cruzem.

POMBA GIRA


Farofa
Vinho branco ou rose
Cigarro com a carteira aberta e alguns puxados para fora
1 Caixa Fosforo
Velas vermelhas
Flores - rosas de qualquer cor

DONA MARIA PADILHA


AMALÁ
7 maças vermelhas, 21 morangos, 7 Ameixas Vermelhas, 7 Bombons, 7 Velas Brancas, Cigarro, Anis e Flores 

CRIANÇA


AMALÁ
7 ou 14 velas brancas, rosas ou azuis. Balas, pirulitos que podem ser do formato de chupeta e doces de qualquer tipo.

A bebida deve ser um refrigerante de preferência guaraná.
LOCAL DA ENTREGA
Um jardim ou um campo onde tenha flores. 


BOIADEIRO


AMALÁ
7 velas amarelas. Comida dentro de uma gamela: arroz integral, virado de feijão preto, batata assada, rapadura, cocada, arroz mineiro, arroz tropeiro, podendo ser usada uma moganga, flores do campo, cigarros ou cigarrilhas.

Bebida: marafo ou batida de coco.


CIGANOS


AMALÁ
3 ou 7 velas de cera incolor, frutas como maçã, pêssego, uva principalmente, dentro de uma gamela, arroz integral e batatas assadas pequenas e descascadas, coberto com canela e mel tudo arranjado com flores. Bebida para o cigano vinho tinto, e para a cigana vinho branco. Para o cigano cigarro ou cigarrilha, e para cigana cigarros.



MARINHEIRO


AMALÁ
Para a linha dos marinheiros nós preparamos uma entrega com arroz branco, peixe de água salgada, às vezes batata com mel, pedaços de coco, cigarro, marafo e como flores o cravo. Pode ser usado no lugar do alguidar de barro a gamela, folhas de bananeira ou aquela casca do coqueiro. 

LOCAL DA ENTREGA
Na beira da praia 

Cambones

Cambones

Cambone é uma atividade exercida nos terreiros de Umbanda e que merece uma atenção especial dada a sua importância como auxiliar das entidades, dos médiuns e dos dirigentes do Terreiro.
Como auxiliar das entidades, cabe ao cambone ser o interprete da mensagem entre a entidade e o consulente, além de um defensor da entidade e da integridade física do médium. Cabe a ele cuidar do material da entidade, orientar o que acontece em sua volta e também ajudar o entendimento do consulente, pois a linguagem do espírito nem sempre é entendida, mas ao cambone fica claro já pela sua intimidade com o comportamento do espírito que ele serve.
Por outro lado a posição do cambone nem sempre é confortável pois algumas vezes cabe a ele fiscalizar também o comportamento da entidade que, se por uma razão ou outra, fugir da normalidade deve imediatamente avisar a direção do terreiro. O limite da intimidade do consulente com o espírito ou o médium deve ser fiscalizado pelo cambone para evitar mal entendidos e desajustes de informações. Finalmente ao cambone é dada uma oportunidade especial de conhecer mais a Umbanda e a forma das entidades trabalharem porque seu contato é direto. Como o cambone tem como obrigação ouvir o que o espírito ouve e fala, seu conhecimento, em cada consulta, aumenta consideravelmente.
Quando eu comecei na Umbanda fiz questão de ser cambone e desempenhei esse papel durante muito tempo e posso afirmar que até hoje ele tem uma importancia direta no meu comportamento como médium e Pai de Santo.

Apenas como informação a quem quiser, estamos divulgando um aviso aos cambones do Terreiro do Pai Maneco elaborado pela Mirtes Rodrigues, responsável como assistente dos cambones na gira que dirijo.

Funções

  • Servir a entidade e ao médium
  • Colaborar material e espiritualmente com o médium e com a entidade, antes, durante e depois do trabalho.
  • Orientar o consulente quando não entende, banhos, entregas, novas consultas, vibrações e o que for necessário.
  • Prestar muita atenção na consulta, para não ser infringida nenhuma regra ou regulamento da casa, e notando alguma anormalidade deve ser comunicado a chefe de cambono ou à hierarquia e, conforme o caso, o pai-de-santo.
  • Deve apresentar honestidade e sigilo absoluto, não devendo nunca contar a ninguém o teor das consultas.
  • Não pode incorporar quando está atendendo a uma entidade, exceto quando autorizado pela entidade a quem estiver servindo.
Antes e durante os trabalhos:
  • Levar todo material da entidade para seu respectivo lugar no terreiro (pemba, velas, ponteiros, bebida, fósforo, tabua, charutos, palheiros, cigarros, ervas, e eventuais outros materiais)
  • Servir a  entidade em tudo que ela precisar.
  • Não deixar de ouvir, mesmo que por solicitação do consulente, as consultas feitas às entidades e as respostas por elas dadas. Em caso de determinação da entidade para se afastar durante uma consulta, avisar imediatamente o pai-de-santo ou a entidade que nele estiver incorporada.
  • Durante a vibração, ficar atento à entidade e ao trabalho que ela realiza, sem contudo ser necessário ficar ao lado da entidade, a não ser que a mesma solicite.
  • Autorizado o atendimento, enquanto risca o ponto e firma seu trabalho, fornecendo-lhe os materiais necessários.
  • Conversar com a entidade quanto ao numero de consultas e o tempo disponível, sendo que ele não pode dizer para ao consulente.
Após os atendimentos:
  • Conversar com a entidade, pedindo orientações quanto ao destino das sobras de material utilizado.
  • Levantar o ponto riscado da seguinte forma: retirar ponteiros, velas e outros materiais do ponto, e jogar cachaça sobre o ponto riscado, em forma de cruz, e com as mãos, apagar o ponto riscado. Depois pode retirar do local e limpar na torneira da pia com água.
  • Guardar e recolher o material, deixando o local limpo.
Orientações gerais:
  • Ao se locomover pelo ambiente do ritual não furar nem costurar a corrente, evitando bater nos médiuns.
  • Ao afastar-se da função, seja por um período ou não, auxiliar o novo cambono, passando orientações a respeito do trabalho com as entidades.
  • Não aproveitar-se da função para fazer consultas em nome de parentes, amigos, sobrecarregando o trabalho das entidades.
  • Não manter diálogo com  assistência.
  • Qualquer dificuldade em orientar os consulentes, pedir auxilio a hierarquia
  • Não atrapalhar o encerramento dos trabalhos levantando o ponto ou guardando os materiais.
  • Durante a abertura e encerramento dos trabalhos, todos devem estar na corrente.
Cambones:
  • Servir também é um aprendizado.
  • O trabalho do cambone  é tão importante quanto ao do médium e entidade.
  • A responsabilidade mediúnica do cambone é tão importante quanto a de qualquer outro médium.
  • O médium que camboneia, não atrapalha seu desenvolvimento. A experiência como cambono lhe é importantíssima no aprendizado.
  • Orientar a entidade quanto aos cuidados com o médium.
  • Avisar de qualquer situação constrangedora a hierarquia.
  • Levantar o perfil das entidades, visto que quem esta de fora, tem maior percepção e entendimento da entidade.

Linha da Esquerda

Quimbanda - Linha da Esquerda

Acho estranho que muita gente prefira acreditar que Exu é o diabo, do que crer na simplicidade de uma entidade boa e comum. Talvez seja a estranha força da imagem em gesso do Exu.
Um grande problema para a desmistificação da Umbanda é a colocação correta da Quimbanda e de seus espíritos, os Exus e as Pombas Gira. Tem gente que diz que o Exu é o Diabo. Essa estúpida assertiva, muitas vezes até cometida por umbandistas, tem custado muito para nossa religião. Em todos os momentos que falamos da Umbanda não dispensamos a ladainha que a Umbanda é nova, não tem – e espero que nunca tenha, nenhuma codificação e nenhuma regra existente para diferenciar o certo do errado. Errado na Umbanda só o que fere a moral, o bom senso, a ética ou a cultura. Por isso divulgamos o entendimento do Terreiro Pai Maneco sobre este tema.

O exu não é o agente do mal. Ele é a entidade polêmica, misteriosa e distorcida da umbanda. Sua imagem, na crença popular, é uma figura demoníaca, moldada em gesso de cor vermelha, algumas ainda possuindo chifres e pés de animal. Absurdamente, é assim que ele é cultuado, inclusive, confesso, em nosso terreiro, muito embora saibamos que estamos fazendo parte desta massa ignorante. Mas a força da nossa intenção transforma essas imagens em elementos de ligação com esse mundo maravilhoso – dos Exus.
Acho estranho que muita gente prefira acreditar que Exu é o diabo, do que crer na simplicidade de uma entidade boa e comum. Talvez seja a estranha força da imagem em gesso do Exu. Será que por trás dessas figuras mal feitas e de péssimo gosto artístico não existe um engodo espiritual para esconder suas verdadeiras identidades? Vamos analisar e tentar descobrir pelo raciocínio inteligente quem eles são.
A umbanda é brasileira, baseada em fatos e personagens na época do descobrimento, tendo nos caboclos, nossos ameríndios, a figura mandante, seguido do preto-velho, simbolismo da raça africana escravizada pelos europeus e as crianças que são os espíritos de qualquer nacionalidade que tenham desencarnado na idade da inocência. Fecha-se o Triângulo da Umbanda: Caboclos, Pretos e Crianças. Sabendo serem essas as entidades que compõem a Umbanda, não resta para a Quimbanda, outro tipo de espírito senão os originários da Europa, no caso os nobres, príncipes, lordes, almirantes, eclesiásticos, figuras letradas e culturalmente avançados.
Isso aconteceu através da evolução dessas almas pela reencarnação. Se os europeus invadiram nosso país, mataram nossos índios, escravizaram os africanos e cometeram toda espécie de mal, dentro de seus resgates cármicos podem, espontaneamente, terem aceitado a situação de serviçais àqueles que, em vidas anteriores, foram seus carrascos. A lógica desse argumento baseia-se no fato que seria estranho e de difícil aceitação um príncipe apresentar-se em um terreiro de umbanda, carregando um tridente, afirmar estar morando no cemitério, aceitar farofa, azeite de dendê, charuto e cachaça como oferenda, e ainda receber ordens de um índio ou de um escravo. O melhor é se esconder atrás de um comportamento atípico às suas nobres origens.
Os Exus têm histórias muito bonitas, interessantes e que vale a pena conhecê-las.

Exu Morcego

Em um castelo, inteiramente de pedra, mal cuidado e isolado no meio de uma floresta, típico daqueles pertencentes ao feudo europeu, vivia um homem branco e corpulento, trajando uma surrada roupa, provavelmente antes pertencente a um guarda-roupa fino. Percebia-se o desgaste causado pelo passar do tempo, pois ainda carregava uma grossa e rica corrente de ouro de bom quilate, com um enorme crucifixo do mesmo cobiçado material. Parecia viver na solidão, muito embora no castelo vivessem vários serviçais. Na torre do castelo, as janelas foram fechadas com pedra, e só pequenas frestas foram feitas no alto das paredes.
A luz não podia entrar. A torre não tinha paredes internas, formando uma enorme sala, com pesada mesa de madeira tosca, tendo como iluminação dois castiçais de uma só vela cada. Ao lado da tênue luz das velas, livros se espalhavam sobre a mesa, mostrando ser aquele homem um estudioso e que algo buscava na literatura. De braços abertos, com um capuz preto cobrindo sua cabeça, emitia estranhos e finos sons, tentando descobrir o segredo da levitação. Pelas frestas da torre, entravam e saiam voando vários morcegos com os quais ele procurava inspiração e força para atingir sua conquista. Por quê? Não sabemos. A idéia e as razões eram só da estranha figura. Parecia um homem de fino trato, transfigurado na fixação de atingir um poder que não lhe pertencia. Seu nome? Também não sabemos. Só o conhecemos incorporado nos terreiros como o querido, mas temido, Exu Morcego.

Exu Pantera

O Exu Pantera é uma surpresa. Seu nome dá a entender ser um espírito violento, bravo, mas ao contrário, apresenta-se com muita elegância, com charme e um bom palavreado. Ele contou sua história: afirmou ser europeu, e grande admirador da pantera, para ele, um animal esperto, ágil, e o mais elegante de todos. Veio ao Brasil para resgatar seu carma, agrupando-se à umbanda, especificamente à quimbanda e como tem uma relação direta com o Caboclo da Pantera, não teve nenhuma dúvida em usar o nome do lindo felino. Daí seu nome: Exu Pantera.

Exu João Caveira

O Exu João Caveira contou uma vida passada. Disse que na Idade Média, foi um fiel conselheiro de um senhor feudal. Criada uma situação no feudo de difícil solução, foi solicitada sua opinião para decidir a questão. Se decidisse de uma forma, agradaria todos os senhores, e de outra, faria justiça a todos os moradores desafortunados do lugar. Para ganhar a simpatia do lado forte, decidiu pela primeira hipótese, mesmo contrariando a sua vontade, que em nenhum momento expressou. Por causa disso, ganhou um carma enorme, que está resgatando nos terreiros da Umbanda.

Exu do Fogo

O Exu do Fogo contou uma história interessante. Disse que através do fogo executa seus trabalhos de caridade, por ter ele, no tempo da Inquisição, condenado várias pessoas para serem queimadas em fogueiras com a pecha de bruxos. Hoje ele se considera um bruxo e através do elemento fogo, tenta resgatar os males que carrega em seu carma. E vale a pena ver a habilidade deste Exu manipulando o fogo.

Exu 7 da Lira

O Exu 7 da Lira, segundo a unanimidade dos terreiros afirma, foi o grande cantor brasileiro. De certa forma, foi sinalizada alguma coisa em nosso terreiro, pelo ponto que ele mesmo ditou:
Sou Exu, trabalho no canto
Quando canto desmancho quebranto
Sete cordas tem minha viola
Vou na gira de elenco e cartola
Viola é o tridente
Cigarro é o charuto
Bebida é o marafo
Sou Sete da Lira
Derrubo inimigo
Ponteiro de aço

Interessante texto do saudoso Pai de Santo Andir de Souza:
“Falar de exu não é uma fácil tarefa, porém, inquirir, pesquisar, procurar sua origem e sua finalidade é o direito de quem quer aprender. Há uma nuvem cobrindo a distância do seu princípio até nossos dias. Nesta caminhada lenta da humanidade ganhastes muitas formas e fostes batizados com inúmeros nomes: no Jardim do Éden, eras uma serpente que introduziu o primeiro pecado no seio da humanidade; eras o agente mas não o mal, pois o livre arbítrio nos dá o direito de optar. De Adão e Eva proliferou a humanidade e, com ela, os seus deuses, seu medo e sua curiosidade.
Ah! meu irmão de longa caminhada...
Para Moysés você foi a bengala que apoiava o corpo nas fatídicas andanças mas, se necessário, você seria também a assustadora serpente. Para os fenícios, você foi Molock, espírito tenebroso, cujo interior era uma fornalha ardente onde os seus seguidores depositavam suas oferendas; para a Pérsia de Zoroastro, atendias pelo nome de Arimânio, espírito angustiado e vingador!...para o egípcio, você era Duet, uma guardião que castigava, que punia para, depois de punido, ser entregue para o Deus da Luz e Serenidade; você era a ligação entre o homem e a mente, a morada de Osíris que é o Deus do amor e da criação. No Egito, você também era Tifon ou Aprites; a China milenar te deu o nome de Digin; Ravana para o hindu; os escandinavos de chamavam Azalock. Em cada povo uma personalidade e uma vibração diferente. Para o nosso índio brasileiro, você atendia por vários nomes e várias atuações: Cairé é um fantasma que aparece na lua cheia para punir os maus; Catiti é outro, só visível na lua nova e atrapalha a pesca. Jurupari é o mau espírito que traz pesadelo; Curuganga oficia como assombração.
Até então, você com múltiplas funções e personalidades, não era mais que uma energia, uma força. Até 1984 anos atrás, você era visto e sincretizado como guerreiro, como um homem. Para o mau artista, uma grotesca obra.
O hebreu te deu novas formas e, na pia batismal, recebestes os nomes: diabo, demônio, Lúcifer. Pelo pincel do pintor ou o formão do escultor, na metamorfose dos interesses de uma religião que amedronta e não esclarece, te fizeram um monstro... Como monstro, você defendia com maior eficácia os interesses econômicos de seu criador. Causa-nos revolta vê-lo assim desfigurado!
A infâmia e o mau gosto do artista que te fez um agregado de homem e animal, com longos cornos e pés caprinos, é uma afronta ao próprio Criador!
Ah! meu amigo... A tua imagem hoje, nada mais é que o reflexo, a exteriorização de consciências mal forjadas.
São dois mil anos que o padre vem te projetando, programando o subconsciente da pobre humanidade. Ele afirmou que exu era o diabo e assim se propagou, assim ficou... Nós só conhecíamos o catolicismo como religião dominante. O padre era sábio, o doutor, o mentor enfim... e ficaria assim se ao lado da religião não existisse a história.

O diabo é um rival de Deus, um anjo re bel de, Satanás e falsário que tentou Eva e perdeu Adão. Tentou Caim e promoveu o assassinato de A bel ; tentou Jesus, no monte e levou Judas à traição, Jesus não cedeu à sua tentação, prova eloqüente do direito de optar; respeito sagrado ao livre arbítrio do homem.
Forçam-nos a pensar que você é o executor porém, não é a causa nem efeito; é sim um elemento, uma vibração, que serve de acordo com a vontade do pedinte ou a licença do patrão. Será isso ou não?... Sabemos que o índio e o negro não conheciam um rival de Deus. Não há um concorrente das Leis Divinas!... um diabo, um Satanás... há sim, uma corte de seres inferiores que, por isso mesmo, estão a serviço de seres superiores, aos quais obedecem e servem sem contestar.
Na magia do negro, Exu é um Deva, um Orixá... é um mensageiro, o guarda, o policial, o moço de recado que vive na rua, orientando, servindo de intermediário entre o Orixá e o homem.

Entendemos que o diabo nos ludibriou!...
O negro não sabia que era o diabo, sabê-lo-ia o bugre dispondo de uma mitologia inferior?... Não tinham uma noção semelhante. O bugre conhecia o Caissoré, Curupira, Curuganga, Anhangá, entidades que se tornam pesadelos, que dão maus sonhos e que estorvam a pesca e a caça, contudo, o homem pode amansá-los, dando-lhes pequenas oferendas. Quem ameaçaria o diabo?... Este pretenso rei será tão porco, tão mesquinho que se venda por alguns bicos de vela? Será isso um rival de Deus?... Um diabo, um Satanás?...
O bugre e o negro não conheciam esta figura hebraica, pregada e propagada aos quatro cantos do mundo pelos padres e seus discípulos.
O negro não servia a interesses financeiros; perante Deus não existe rival. ELE é a Criação, o Princípio e o Fim! Para cada elemento ELE criou uma força dominante, um encarregado, um guardião, um Orixá que rege o plano Cósmico mas, criou também, o intermediário, o EXU, o Deva, o Orixá Menor, que atua em harmonia com seu gerente ou seja, o Orixá.

Lá no alto está a Energia Cósmica, Oxalá, Iemanjá, Ogum, Oxóssi e outros; no plano intermediário, Exu-Tameta, Exu da Rua, Exu-Odé, da encruzilhada, Exu-Adé, do chão, Exu-Ibanan, dos montes, Exu-Itatá, das pedras, Exu-Ibê, do terreiro, Exu-Gelu, das estradas longas, Exu-Baru, do escuro, Exu-Bara, este, puramente africano.
Senhores, a minha dissertação talvez não seja erudita... tão inteligente... porém, é honesta e eu afirmo: aquele grupo de demônios avermelhados, guampudos, com pés caprinos e barbas em pontas, olhos saltados, dentre agressivos... não é EXÚ!

Aquilo é uma concepção primária, falsa, mórbida, velhaca, indecente, ridícula!... É uma agressão à nossa inteligência; uma infâmia, um disparate, uma ofensa ao Divino Criador! Não podemos aceitar essa assimilação!
Este demônio hebreu não é o Plutão do grego, não é o Tifon do egípcio, não é o Arimam do babilônio, não é o Digin do chinês, não é o Ravana do hindu, não é o Bará do negro, não é o Caissoré do bugre.

Este demônio bestificado não faz parte deste Panteon!
Por Deus, não é nada disso!...só pode ser fruto do interesse econômico de escritores mal informados, sem decência ou respeito pelo belo.

Aqui dou meus aplausos àqueles escritores que tiveram a honradez de procurar um novo sincretismo, tentando introduzir uma imagem condizente com o altruístico trabalho desses incansáveis irmãos EXÚS.

ORIXAS

EXU

É o responsável pela comunicação entre homens e deuses. Domina as porteiras e encruzilhadas. Quando há festa de orixá, Exu sempre recebe a primeira oferenda. É um orixá brincalhão, ousado, bom e ruim ao mesmo tempo. Suas cores são vermelho e preto. Fuma charuto, cachimbo e cigarro. Bebe cachaça, água e mel. Come farofa de dendê, bode e frango. Seu elemento é o fogo.
 

Ele é capitão da encruzilhada
Ele é
Ele é mensageiro de Ogum
Sua coroa quem lhe deu foi Oxalá
Sua digina quem lhe deu foi Omulu
Ô salve o sol, as estrelas
Salve a lua
Saravá Seu Tranca-Rua
Ele é dono da gira
Ele é dono da rua
OGUM
É o orixá do ferro e da guerra. Abre e domina os caminhos com sua espada. Suas cores são verde e vermelho. Toma cerveja branca. Come farofa de dendê com feijão verde, bode, frango e feijoada. Suas frutas são manga espada e cana-de-açúcar. Seu dia é terça-feira. Seu elemento é o ferro.

Sustenta a gira Ogum
Não deixa a demanda entrar
É hora, é hora, é hora Ogum
É hora de trabalhar

É cavaleiro da Oxum
É remador de Iemanjá
Ele é soldado, ele é guerreiro
É ordenança de Oxalá
ODÉ

Domina as matas. Deus da caça, do verde. Suas cores são verde e branco. Come porco, bode e frango. Suas frutas são melão e sapoti. Seu dia é a quinta-feira. Seu elemento é a mata.

Cadê minha fera braba
Meu tigre devorador ?
Eu atirei ele caiu
Chegou Odé caçador


OMULU

Senhor das doenças. Tanto cura quanto causa, principalmente as doenças de pele. Ele foi abandonado por ter o corpo coberto por chagas; por isso usa uma veste de palha da costa. Suas cores são branco, preto e vermelho. Come bode, frango e pipoca. Sua fruta é a romã. Seu dia é a segunda-feira. O elemento de Obaluaê, como também, é chamado, é a doença.

Omulu
Baluaê
Omulu
Leva os contrário
Omolu
Limpe os doente
Omolu
Leva as demanda

Omolu tu és
Omulu tu és
Omulu tu és
Defensor de demanda
NANÃ

Deusa das águas barrentas, da lama. É uma senhora velha que domina o lodo dos rios e dos mares. É calma, lenta e constante. Sua comida é cabra, franga e farinha de milho. Sua cor é o roxo. Sua fruta é  uva escura. É carinhosamente chamada de “vovó”. Seu dia é o sábado. Seu elemento é o barro, a lama.

 
Se Nanã Borokê é minha vó
  Sou filho de Obaluaê

  Eu adorei o seu otá
  E seus axés Nanã me deu
IBÊJI

Orixás crianças. Poderosos. São brincalhões, mas trabalham tanto quanto os outros orixás. Suas cores são todas. Comem bolo, cocadas, manjares, caruru, balas e doces. Adoram água com açúcar, mel e guaraná. Seu dia é o domingo. Suas frutas são melancia, banana, maçã, pêra e melão. Seus elementos são os brinquedos e tudo ligado às crianças.

 
Bêjin também é orixá
Bêjin também é orixá
Terra que bebé chorou

Bêjin, Bêjin
Orixá eu sou
Bêjin, Bêjin
Orixá eu sou

  OXUM

Dona do ouro, deusa do amor, rainha das cachoeiras. Materna, bela e vaidosa, delicada e jovem. Adora receber presentes: flores, jóias, espelhos, e perfumes; e banhar-se nas águas dos rios. Coem doce, franga, cabra, bolo, mel, omolucum. Suas frutas são mamão, banana, maçã, melancia, melão, laranja mimo do céu. Sua cor é o amarelo. Seu dia é quinta-feira. Seu elemento é a água doce.

Ari yê yê
Mãe Oxum é um tô
No seu Alá vamo’ saravá

No Oriente já deu sinal
Rainha do ouro
As Oxum vai chegar

Ari yê yê Oxum !


XANGÔ

É o orixá da justiça. Deus dos trovões, das pedreiras. Suas cores são vermelho e branco. Come frango, carneiro, amalá, jerimum. Suas frutas são maçã ejambo. Seu dia é a quarta-feira. Seu elemento é a pedra.


Dizem que Xangô
Mora na pedreira
Mas não é lá sua morada verdadeira

Ele mora no clarão da Lua
Onde mora Santa Bárbara
Oxumaré e Jesus
IANSÃ

Rainha dos ventos, raios e tempestades. É um orixá sensual, muito feminina, guerreira e valente. Usa um chicote para espantar os eguns. Sua cor é o rosa coral. Come cabra, franga, acarajé e cenoura com mel. Suas frutas são jambo, maçã vermelha e manga rosa. Seu dia é quarta-feira. Seu elemento é o vento.

Ô Iansã cadê Ogum?
Foi pro mar

Iansã penteia
Os seus cabelos macios
Quando a luz da lua cheia
Clareia as águas do rio

Ogum sonhava
Com a filha de Nanã
E pensava que as estrelas
Eram os olhos de Iansã
Ô Iansã cadê Ogum?
Foi pro mar

Na terra dos orixás
O amor se dividia
Entre um deus que era de paz
Outro deus que combatia

Mas a luta só termina
Quando existe um vencedor
Iansã virou rainha
Da coroa de Xangô
IEMANJÁ

Orixá maternal. Acolhedora e compreensiva, calma e ativa. Rainha das águas. O mar é a sua morada. É a mãe da maioria dos orixás. Iemanjá não tolera mentira e traição, por isso seus filhos demoram a confiar em alguém. Sua comida é franga de leite, ovelha, milho branco, manjar, arroz com mel. Suas frutas são maçã branca, uva, pêra, melão. Seu dia é o sábado. Sua cor é o azul claro. Seu elemento é o mar.  


Foi n’areia
Foi n’areia

Eu fiz um pedido
À mamãe sereia
À Iemanjá
Para nunca mais penar
Foi n’areia
Foi numa noite
N’areia branca do mar

A lua lá no céu
Iluminou o meu caminho
Sereia, a Rainha do Mar
OXALÁ

Ao contrário de Exu, Oxalá ou Orixalá é o mais calmo. Pai de todos os orixás simboliza a paz, a pureza, a tranqüilidade. Seu dia é a sexta-feira. Sua cor é o branco. Come frango, pombo, carneiro, inhame, arroz com mel, milho branco. Suas frutas são uva, laranja mimo do céu. Maça branca. Bebe água mineral. Seu elemento é o céu.
 

Orixalá é o rei do mundo inteiro
Vem abençoar esse gongá
Clareia, meu pai clareia
Lev’as correntes pras ondas do mar


 

Santa Sara Kali (Deusa Kali) - Padroeira do povo cigano

 

Santa Sara Kali (Deusa Kali) - Padroeira do povo cigano


Santa Sara Kali
Algumas falam que ela seria serva e parteira de Maria, e que Jesus a teria em alta estima por te-lo trazido ao mundo. Outras, que era serva de Maria Madalena. Seu centro de culto é a cidade de Saintes-Maries de la Mer, na França, onde ela teria chegado junto com Maria Jacobina ou Jacobé,irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro e Maximinio. Já o epíteto "Kali" significa "a negra", porque sua tez ser escura... Mas quem foi afinal a Santa Sara Kali?
Pouco se sabe sobre o nascimento de Jesus. Acredita-se que tenha ocorrido numa gruta, pois os essênios, que eram um povo muito esclarecido, costumavam utilizar este local como hospital, por oferecer condições ideais para doentes e convalescentes da região.
O texto apócrifo de Tiago mostra que os anjos trouxeram uma parteira, Sarah, que mal conseguia ver Maria, devido à luz que o espaço emitia. Sarah aproximou-se de Maria e observou que seus seios estavam cheios de leite, e que o nascimento de Jesus não tinha lhe tirado a virgindade. O bebé nasceu limpo, como se o parto tivesse sido dirigido pelos anjos e Sarah acompanhou a vida de Jesus com discrição. Provavelmente vivia com Maria, como escrava, Maria Madalena ou com José de Arimatéia, tio-avô de Jesus.Após a morte de Jesus, os textos apócrifos relatam que as três Marias dirigiram-se para o sul da França, chegando entre 24 e 25 de Maio. Alguns relatos dizem que elas foram atiradas para um barco, sem remos ou provisões e que acabou por atracar na Praia de Maries-de-la-Mer, na foz do Rio Ródano.Pouca gente sabe, incluindo os ciganos que veneram esta santa em especial, que Sarah não foi apenas a criada de Maria, mas sua parteira! Era egípcia, tinha a cútis escurecida pelo sol e Jesus tinha-a em grande estima.No dia consagrado à sua homenagem, em França, o padre da cidade costuma levar ao mar a barca com sua imagem. Os ciganos vestem-se de forma alegre, porém recatados. Não é admissível, numa festa comemorativa, as mulheres usarem saias acima dos joelhos, por exemplo. Os homens ciganos vestem roupas escuras e as mulheres saias multicoloridas, ostentando as suas jóias.
Dizem os ciganos que Santa Sarah Kali só tem olhos para eles, que conhecem as tradições e que encontram-na na sombra da cripta. Antes que colocassem as grades no seu monumento e fechassem seu acesso à noite, os ciganos viajantes pernoitavam e pediam protecção a Santa Sarah, oferecendo velas à "Virgem Negra". Paralelamente a história de Sarah chegou à índia, onde os ciganos a associaram à deusa Kali, negra, poderosa e transformadora.A peregrinação que os ciganos fazem ao local onde está a estátua de Santa Sarah tem uma intenção diferente à dos católicos. Eles sabem que os objetos mortos só podem viver à medida que os homens lhe dão vida. A protecção de Sarah confere as pessoas emanações sempre benéficas, que representam simbolicamente o ventre da sua mãe, o seu sorriso, a irmã e a rainha: a "phuri dai" secreta dos Roms.Dizem que uma pessoa de bom coração consegue ver o sorriso na estátua de Santa Sarah




KALI (no Panteão Hindu)


Káli e a Seita dos Thugs
Há cerca de 300 anos, um grupo de indianos adoradores da deusa Káli, a deusa da morte e da destruição, fundou uma fraternidade intitulada Thug, cujos membros se comunicavam por meio de uma linguagem secreta e de gestos, os quais só eles sabiam interpretar.
Segundo mística clássica, a Káli (ou Durga) havia sido confiada a tarefa de destruir o poder demoníaco que oprimia o mundo, e seus seguidores concluíram que os peregrinos em adoração a outros deuses deviam ser seus demônios disfarçados de gente. Assim, os thugs (ou Phansigars, estranguladores) faziam amizade com esses grupos e, logo que ganhavam a confiança deles, estrangulavam-nos com lenços ou laços que carregavam na cintura. (Segundo o mestre Samael, os altos iniciados da loja Negra usam um cinto de tecido especial com sete nós.)
Depois de mortas, as vítimas eram mutiladas por membros da seita especialmente treinados para isso. As principais vítimas eram mulheres e crianças das castas mais humildes, e, circunstancialmente, eram sacrificadas nos altares dos templos de Káli.
Para que não identificassem as vítimas, escavavam buracos com picaretas consagradas, jogavam terra por cima e dançavam sobre a superfície para achatá-la.
O ritual terminava com oferendas de açúcar à deusa Káli e libações sobre a picareta. Por fim, repartiam entre si o que haviam roubado da vítima.
A seita dos estranguladores teve seu apogeu no século 13, com a construção de diversos santuários dedicados a Káli. Nessa época, os Thugs criaram uma organização tão estruturada (ou maior) que as máfias modernas. Os Thugs geralmente trabalhavam em bandos, ao longo das estradas e cidades sagradas indianas, como por exemplo Benares e Allahabad. Eles geralmente eram acompanhados de auxiliares, denominados Bhurtotes e Shumseeas.
Os thugs raramente viajavam, ficavam confinados a determinadas regiões, próximas a seus templos sacrificiais, porém existia uma variante thug, que eram os thugs viajantes, ou Megpoonas. Esses eram mais difíceis de capturar, pois não havia um ponto específico onde pudessem ser encontrados. Foram os que mais destruição causaram ao povo indiano.
Certa vez, Sir Sleeman interrogou um seguidor thug sobre se ele realmente havia assassinado centenas de pessoas, por meio do estrangulamento. Esse thug disse que não, que não havia assassinado ninguém. Quem havia matado a essas centenas de pessoas fora a própria Deusa Káli, utilizando as mãos dele...
Origens Esotéricas dos Adoradores de Káli
Segundo o Mestre Samael, esta seita involucionante teve sua origem na própria Atlântida, criada pela própria Fraternidade Negra. De lá, essa seita tântrica negativa se estabeleceu no país chamado Perlândia (a terra das pérolas), hoje conhecida como Índia.
Káli é a personificação das forças cósmicas destruidoras, Káli possui dois aspectos, um positivo, que vem a ser a Mãe Destruidora de todas as trevas interiores do ser humano. Em seu aspecto negativo é a energia da Kundalini despertada negativamente, transformando-se na tão temida “cauda dos demônios”, ou Órgão Kundartiguador.
Felizmente, essa seita de assassinos foi combatida e extinta pelas autoridades britânicas na Índia. Coube a Sir William Sleeman, entre os anos 1829-1848, a incumbência de reprimir e destruir a tenebrosa organização Thug.
Sir Sleeman escreveu um interessante trabalho, intitulado Ramaseeana, ou a Linguagem Peculiar dos Thugs. Sleeman afirmou ter conhecido textos que falavam dos thugs na época de Heródoto. Foram condenados por ele cerca de 1.600 thugs por assassinato.
Etimologias.
Káli vem do híndi e significa “a negra”.
Durga quer dizer “a inacessível”.
Parvati é a consorte de Shiva, ou seja, nossa Divina Mãe Cósmica Kundalini, em seu aspecto positivo.
Káli e Durga, portanto, são duas facetas da energia sagrada da Kundalini.
Outro nome dado pelos thugs a Káli era Dávi.

domingo, 2 de outubro de 2011

LEMBRE-SE

Se você está triste porque perdeu seu amor,
Lembre-se daquele que não teve uma amor para perder;

Se você se decepcionou com alguma coisa,
Lembre-se daquele cujo o nascimento já foi uma decepção;

Se você está cansado de trabalhar
Lembre-se daquele que angustiado, perdeu seu emprego;

Se você reclama de um alimento mal preparado,
Lembre-se daquele que morre faminto sem um pedaço de pão;

Se um sonho foi desfeito,
Lembre-se daquele que vive num pesadelo constante;

Se você teve:
Um amor para perder,
Um trabalho para cansar,
Um sonho desfeito,
Uma tristeza para sentir,
Um alimento para reclamar,
Lembre-se de agradecer a Deus!
Porque existem muitos que dariam tudo para ficar no seu lugar